
Quem nunca ouviu falar que os suplementos vitamínicos engordam, que fazem mal à saúde e que são desnecessários caso a ingestão alimentar seja politicamente correta? Embora existam informações, o fato é que eles ainda despertam dúvidas.
Vamos ver as informações da Dra. Daniela Hueb *.
"Vários pacientes me procuram diariamente na clínica e questionam que não sabem o porquê de engordarem, uma vez se alimentam corretamente, isto é, ingerem frutas, verduras e legumes, e vez e outra cometem alguns deslizes alimentares. E, na maioria das vezes, o diagnóstico chega a surpreender os mais desavisados: um quadro de desnutrição.
Geralmente visualizamos essa situação apenas naqueles casos em que há falta de comida, mas o fato é que boa parte da população brasileira que se alimenta bem também sofre de algum tipo de desnutrição, principalmente por conta da qualidade dos alimentos. E, dessa forma, o organismo precisa compensar de algum jeito, o que pode levar ao aumento de peso.
Para sanar a carência vitamínica do organismo, recomendo sempre os complementos. Porém, atenção: a suplementação vitamínica não é indicada para emagrecer, mas para repor nutrientes pouco ou não consumidos a partir de uma alimentação nutricionalmente inadequada. Por ser um assunto muito pouco esclarecido, vamos desvendar mais um dos mitos da nossa tão deliciosa e necessária alimentação e nutrição.
Um pouco de história
Algumas doenças históricas eram causadas por carências de certas vitaminas. Quem não se recorda dos relatos do tempo das Cruzadas e dos Descobrimentos, onde os marinheiros adquiriam o escorbuto devido a carência de vitamina C, com sintomas de sangramento gengival e perda dentária? A cura, embora não conhecida na época, era simples: tomar com freqüência um copo de suco de limão.
Outra doença, o beribéri, com sintomas de fraqueza geral extrema, acometia várias pessoas até que, em 1911, o químico polonês Casimir Funk descobriu na casca do arroz um fator antiberibéri. Hoje sabemos que se trata da vitamina B1, ou tiamina. A descoberta dessa amina foi tão importante que Funk a denominou de vital amin (ou amina vital), hoje usada de forma abreviada como vitamina por todas as substâncias dessa classe, mesmo para as não aminas.
Afinal, o que são as vitaminas?
Uma vitamina é um composto orgânico encontrado nos alimentos em pequenas quantidades. Elas são essenciais a reações metabólicas específicas e não podem ser sintetizadas pelo organismo. A deficiência de qualquer vitamina deve provocar uma disfunção metabólica, sintomas patológicos ou mesmo uma doença. No entanto, uma vez corrigida a deficiência, as alterações correspondentes devem desaparecer.
É importante destacar que as vitaminas não fazem parte da composição estrutural dos tecidos e nem são produtoras de energia (não contêm calorias).

Grupos de vitaminas
Têm-se dois grupos de vitaminas: as lipossolúveis e as hidrossolúveis. As lipossolúveis são as vitaminas A, D, E e K. Estas dependem das gorduras para serem absorvidas; encontram-se tanto em alimentos animais quanto vegetais e são armazenadas nos tecidos orgânicos, o que permite longos períodos sem ingestão, mas propicia a ocorrência de níveis tóxicos com certa facilidade. Afinal, não é nada fácil perder gordura corporal.
As hidrossolúveis são as vitaminas do complexo B e a C. Estas dependem da água para serem absorvidas; encontram-se comumente em alimentos de origem vegetal; não são armazenadas nos tecidos orgânicos e devem ser ingeridas diariamente, diminuindo assim a ocorrência de níveis tóxicos.
Quando os suplementos vitamínicos foram lançados, além das vitaminas, eram acrescentados o açúcar e estimuladores de apetite em sua composição. Hoje, os estimuladores foram retirados da formulação e o açúcar, na maioria das marcas, foi substituído por adoçantes. Portanto, a fama de que as vitaminas engordavam, na verdade, referia-se ao açúcar e ao estimulador.
O fato é que todas as pessoas tem um certo grau, maior ou menor, de carência nutricional, mesmo os consumidores inveterados de frutas, verduras e legumes, independente de classe social. Todos cometem deslizes alimentares, fato este muito bem esclarecedor de tais carências nutricionais.
A visão atual da medicina deve ser de indicar corretamente as vitaminas e os sais minerais necessários, de acordo com a carência individual. Inúmeros trabalhos científicos publicados nas mais renomadas revistas vêm cada vez mais provando este fato.
Então, não se pode usar do argumento de ser contra ou a favor da suplementação vitamínica. Ser contra ou a favor, deixe esta questão para a política e a religião. Como médica, sou favorável às provas científicas, por isso as indico.
* Daniela Hueb é dermatologista e nutróloga, membro da Sociedade Brasileira de Medicina Estética, da Associação Brasileira de Nutrologia e da Sociedade Brasileira de Antienvelhecimento.
Até a próxima pessoal!
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